Tenho acompanhado aqui alguns posts sobre o estado de Almada e creio que juntos, todos, temos de intervir.
Quem caminha por Almada sabe que as ruas estão sujas e os equipamentos degradados. Nos últimos dias tenho visto inclusive varredores na zona da cova da piedade, mas é absolutamente ineficaz.
A semana passada na rua Lourenço Pires de Távora vi um homem que provavelmente dorme nas casas abandonadas da cova da piedade a abrir um saco de lixo que foi deixado ao lado do contentor com roupa e a despejar tudo no chão para o remexer e deixar espalhado. O meu primeiro impulso foi dizer-lhe para não deixar tudo espalhado. E assim fiz. Chamei à atenção para não deixar pelo menos a roupa espalhada.
Se todos, com sensatez e respeito, começarmos a avisar, as pessoas ganham pudor. Andar com os cães pela trela, apanhar os cócós, evitar urinar nas jantes e nos equipamentos, não atirar o lixo para o chão, não colocar entulhos e monos, tudo isso são coisas que nós vemos e preferimos calar.
Se existir reparo, há noção do ridículo. Eu falo por mim, que já vi dezenas de vezes coisas acontecerem e calei-me para não me chatear. Mas está a um nível absurdo. O Jardim do Museu da Cidade passou a estar aberto para as pessoas desfrutarem do espaço. Mas foi colonizado por pessoas com cães para usar os espaços verdes para passear os cães. Já aconteceu estar a brincar com a minha filha e a jogar à bola e o dono de um cão de raça potencialmente perigosa (um pitbull, portanto) mandar-me guardar a bola porque ele estava com o cão sem trela na relva e o cão sentia-se atraído pela bola e podia rebentar a bola. Com o parque canino a poucos metros.
Os monos são retirados pela manhã e de tarde estão lá novos monos. As lixeiras são limpas mas duas horas depois alguém deixa o saco do lixo no chão com a ideia que vai ajudar alguém, mas não vai. Só vai permitir que algum retardado remexa o lixo sem absolutamente civismo nenhum.
Conto contigo para fazeres um reparo porque a cidade é tua e os espaços são de todos nós e todos temos a responsabilidade. Não dizer nada é ser cúmplice.
Justamente porque nunca dissemos nada e somos uns mansinhos que há ruas intransitáveis com carros em segunda fila, há fontes sem água com o lixo a acumular, há pão espalhado para os pombos, há papéis espalhados por todo o lado e são coisas que todos nós vemos a acontecer.