Boas!
Vejo muitas publicações de pessoas a perguntar o que fazer com dinheiro parado, de que podem precisar a qualquer momento e que gostariam de proteger da inflação. Gostaria de partilhar a minha abordagem, talvez seja possível criar uma discussão interessante.
Olhando para primeiro para os clássicos: Os depósitos a prazo. Estes oferecem capital garantido dentro dos limites legais, mas podem penalizar o resgate antecipado e exigem, por vezes, andar à procura das melhores campanhas.
Depois temos os Certificados de Aforro, com garantia do Estado e possibilidade de resgate após o primeiro vencimento de juros. Contudo, a taxa base da Série F é de 2,5% brutos em outubro de 2026, abaixo da inflação homóloga de 3,6% registada em setembro, embora existam prémios de permanência.
Como eu procurava liquidez, diversificação e potencial de rentabilidade face à inflação média ao longo de vários anos, explorei ETFs de acumulação, que podem permitir diferir a tributação até à venda, dependendo da fiscalidade aplicável.
Construí este mini portefólio de Cash Parking EUR:
45% CLOA — Invesco EUR AAA CLO UCITS ETF Acc: Exposição a CLOs denominados em euros, com pelo menos 80% em tranches AAA e até 20% em AA. Procura captar prémios de crédito com baixa sensibilidade às taxas de juro.
35% ERNX — iShares EUR Ultrashort Bond UCITS ETF: Carteira diversificada de obrigações investment grade de curta maturidade, combinando rendimento de crédito com baixa duração.
20% CSH2 — Amundi Smart Overnight Return UCITS ETF Acc: Procura acompanhar a taxa overnight do euro (€STR), através de replicação sintética, funcionando como componente de mercado monetário. Mais estável de todos aqui.
Com esta alocação, a rentabilidade anual indicativa ponderada do portefólio é de ≈ 3,68% EUR: CLOA (4,64%), ERNX (3,22%) e CSH2 (~2,34%), ponderados pelas respetivas percentagens de 45%, 35% e 20%.
Uma das minhas maiores reticências eram os CLOs (Collateralised Loan Obligations), que agrupam empréstimos a empresas em tranches com diferentes níveis de risco. As tranches AAA têm historicamente registado poucos incumprimentos, e as estruturas CLO 2.0 reforçaram as proteções após 2008. Ainda assim, não estão isentas de risco. Mais informações sobre eles aqui.
A ideia é diversificar as fontes de rendimento e manter liquidez, podendo vender os ETFs em bolsa quando necessário, caso seja preciso fazer uma grande compra ou realizar outros investimentos. Nenhum garante o capital, e a rentabilidade a curto prazo pode ficar abaixo da inflação.
As alternativas tradicionais continuam a ser válidas: tudo depende dos objetivos, do horizonte temporal e da tolerância ao risco de cada um. Isto não é financial advise.
Espero que tenham gostado, digam-me o que acham!